"Eu sempre os amei", diz o Senhor. "Mas vocês perguntam: ‘De que maneira nos amaste?” (Ml 1.2)
O livro de Malaquias é feito de controvérsias do povo contra Deus. Deus está sendo duramente questionado e acusado. Por isto, é um livro carregado de paixão e crise. Seu estilo é curioso. Deus se abre para responder às críticas que seu povo lhe faz e fala em sua defesa, como se precisasse se justificar de alguma coisa que estivesse fazendo. Esta “vulnerabilidade” de um Deus Todo-Poderoso, que pode nos consumir com um simples sopro de sua boca, mas que ainda permite esta dinâmica com o homem que não passa de cinza, de pó, é surpreendente nas Escrituras Sagradas.
Malaquias revela a tolice de um povo confrontando Deus, que se encontra no banco dos réus sendo arguido pelos mortais, e o que é ainda mais estranho é que as denúncias vinham de seu próprio povo. Os questionamentos não vinham de um povo secularizado e ateu, mas daqueles que faziam parte dos eleitos de Deus. Sete acusações surgem neste livro: “Em que nos tem amado?” (Ml 1.2). “Em que desprezamos o teu nome?” (Ml 1.6). “E perguntais: Por quê?” (Ml 2.14) “Em que o enfadamos?” (Ml 2.17) “Em que havemos de tornar?” (Ml 3.7) “Em que te roubamos?” (Ml 3.8) “Que temos falado contra ti” (Ml 3.13).
Lamentavelmente é assim que temos nos comportado. Temos uma suspeita luciférica contra Deus e grande dificuldade de perceber o seu amor. Desconfiamos dos seus motivos, não entendemos a grandeza de sua graça e misericórdia, mas apesar da rebeldia, Deus afirma: "Eu sempre os amei."
O amor de Deus é unilateral e insistente, e não depende das nossas ações, não existe nada que possa nos separar desse amor. Ele não nos ama por causa de nossa capacidade de responder ao seu amor. Ele simplesmente nos ama. Talvez esta seja a verdade que menos assimilamos de Deus: O seu obstinado amor a ponto de dar seu único Filho em favor de nossos pecados.
Ainda hoje ele deseja abraçar o seu povo, rebelde, teimoso, questionador. Talvez a coisa mais bela da nossa dinâmica na relação com Deus esteja perdida na nossa existência. “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crer, não pereça, mas tenha a vida eterna.”
segunda-feira, 19 de janeiro de 2026
Eu sempre vos amei
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