“Mas vocês, irmãos, não estão nas trevas” (1 Ts 5.4)
É muito difícil caminhar na escuridão porque perdemos toda noção de distância, risco e senso de direção. Podemos facilmente nos machucar, mesmo em ambientes conhecidos. Quando o livro de Provérbios fala daqueles que andam nas trevas ele afirma que “nem sabem em que tropeçam.”
A luz orienta, aquece, dá direção. Deus nos chamou para andarmos na luz. “Não somos da noite nem das trevas”. Andar na luz reflete o caráter: nada a esconder, nada a temer. Muitos andam nas trevas porque temem a visibilidade de suas obras, mas quem anda na luz, anda seguro. (Jo 3.19) Jesus afirmou que ele é luz do mundo e que lhe segue não andará nas trevas. Afirma também: ”Como filhos da luz, andai na luz.”
É muito libertador sair das trevas para a luz. Pode ser que tenhamos medo de revelar nossa verdadeira identidade e atos. Jesus censurou algumas pessoas que não o queriam seguir porque suas obras eram más e eles não queriam vir para a luz, a fim de que suas obras não fossem arguidas. Quando lançamos luz nas trevas, ela desaparece. O mal é como fungo ou mofo, cresce na penumbra. Uma vez que iluminamos os porões do nosso coração surge liberdade, alegria, segurança. Não é bom viver com a constante ameaça de ser pego. É desta forma que vivem os filhos das trevas.
Jesus é a luz do mundo. Ele sabe muito bem quem você é. Ele pode te libertar das grandes trevas que aprisionam seu coração. Não fuja da luz, fuja das trevas. Como filhos da luz, andai na luz.
Artigos do boletim
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
Filhos da Luz
Encorajamento
“Eu o envio... para que ele lhes fortaleça o coração” (Col 3.8).
Sempre encontramos dois tipos de pessoas na nossa caminhada: Tóxicas ou encorajadoras. Daqui cinco anos você será a mesma pessoa, exceto pelos amigos que você tem e pelos livros que você lê. Amigos e livros mudam nossa trajetória e nos fazem perceber novos ângulos na vida. Para o bem e para o mal. Encontrar alguém que anima o nosso coração é uma benção maravilhosa.
Paulo afirma: “Alexandre, o ferreiro, lhe causou grandes males”, mas fala com palavras emocionantes de um personagem quase esquecido na Bíblia: Onesíforo, que "muitas vezes me confortou e não se envergonhou das minhas cadeias". (2 Tm 1.16) Ele trazia ânimo, consolo, alegria, e se arriscava por Paulo, não o abandonando enquanto estava preso.
No texto citado no início deste artigo, vemos que Paulo decidiu enviar Tíquico para se encontrar com as pessoas que moravam em Colossos. Uma de suas tarefas seria “fortalecer o coração das pessoas”. Que função divina! Deus sempre intervém usando pessoas para trazer esperança e nos animar.
Amizades tóxicas são destrutivas, desanimam, desencorajam. Pessoas encorajadoras, nos tiram da depressão, nos fazem esquecer as lutas, nos ajudam a sorrir e ver possibilidades onde víamos problemas.
Que tal se exercitar nesta linda tarefa de encorajar outros e ao mesmo tempo se afastar de pessoas perniciosas, descobrir novas amizades? Quem sabe a sua grande dor, desânimo, tristeza, não tem sido agravada por falta de encorajadores?
Existe uma frase que diz: "Um amigo fiel é uma poderosa proteção; quem o achou, descobriu um tesouro". Amigo é alguém que nos lembra que não precisamos carregar o boleto da vida sozinhos. A amizade não é um luxo, mas uma estratégia de sobrevivência. Paulo não teria terminado a carreira sem o "médico amado" Lucas ou o encorajamento de Barnabé.
Nao tenha Medo!
“Esta é a aliança que fiz com vocês quando vocês saíram do Egito: "Meu espírito está entre vocês. Não tenham medo". (Ag 2.5)
A expressão “não temas” que no hebraico é ‘yare’ ocorre 305 vezes na Bíblia. Na verdade não precisaríamos ouvir esta declaração tantas vezes para nos sentirmos seguros, sendo uma declaração do Deus Todo-Poderoso, uma só seria suficiente! Algumas pessoas sugerem que, na verdade, a expressão “não temas” e suas variáveis, acontecem 365 vezes na Bíblia. Isto seria impressionante: uma para cada dia do ano.
Deus faz questão de reafirmar tal promessa ao seu povo. Precisamos superar o medo, reconhecer seu cuidado. Neste texto de Ageu o contexto era de muita insegurança. O povo de Deus estava retornando do cativeiro babilônico e havia muita incerteza quanto aos problemas que teriam de enfrentar. A não ser as promessas de cuidado dadas por Deus, aquele povo estava vivendo um momento político e histórico de muita insegurança. Era fundamental confiar. Era essencial “não temer”.
O versículo nos diz a razão para o povo de Deus não ter medo. Qual deveria ser a base para a confiança inabalável? Deus afirma: "Meu espírito está entre vocês.” Por que o Espírito de Deus estava entre eles, não havia necessidade de temer. A Palavra de Deus penetra ainda num nível mais profundo ao declarar: “Esta é a aliança que fiz com vocês quando vocês saíram do Egito”. A aliança era o fundamento da segurança. Não precisavam temer por causa da aliança, e quando Deus faz uma aliança ele não a quebra. Ele é o Deus dos pactos.
Por que não devemos e não precisamos temer quanto ao futuro? Quanto ao que virá? Os problemas com os quais estamos lidando? Quando olhamos para a aliança de Deus firmada na cruz, através do sangue precioso do Cordeiro, o que podemos temer? Deus fez uma aliança conosco. E ele não falha. Ele é fiel!
segunda-feira, 19 de janeiro de 2026
Que pensamentos ocupam sua mente?
“Mas tenha o pensamento nas coisas que são do alto, e não nas coisas terrenas”. (Col 3.2)
Psicólogos afirmam que temos cerca de 60.000 pensamentos por dia. Quando vemos a Bíblia nos encorajando a pensar nas coisas lá do alto, ficamos indagando: “Quantas vezes penso nas coisas lá do alto?” Será que temos uma mente voltada para as coisas celestiais?
Quando pensamos apenas nas coisas imediatas e terrenas, nos tornamos ansiosos ou deprimidos. As coisas na terra são instáveis, inseguras, frágeis. Quando consideramos a eternidade, passamos a viver num prisma diferente, afinal, “não somos seres humanos vivendo uma experiência espiritual, somos seres espirituais vivendo uma experiência humana.”(Teilhard de Chardin). Jesus afirmou: “Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, e as demais coisas vos serão acrescentadas.” (Mt 6.33)
Prioridades, valores, conceitos, são todos transformados ao tiramos o nosso olhar da transitoriedade e fugacidade da vida. Quando olhamos para as coisas do céu, passamos a olhar nossa experiência temporal, na perspectiva da eternidade. Isto faz toda diferença...
“Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.” (Fp 4.8)
Duas naturezas
“Façam morrer tudo o que pertence à natureza terrena de vocês!” (Col 3.5)
Existem duas naturezas dentro de nós, guerreando entre si. Uma é a natureza terrena, que habita nos subterrâneos dos instintos, impulsos, paixões. Ela é voraz, ávida por prazer imediato, não gosta de ser contrariada. É dominada pelo eros, ambição e vaidade.
A outra natureza vem dos céus, disposta a sacrifícios, a considerar os outros, a se disponibilizar para Deus, amar, cuidar, a olhar para fora de si mesmo. Esta natureza é espiritual, portanto, não é autogerada, nem humana, é divina; não vem no nosso DNA, mas vem do Espírito de Deus. Só ele pode gerar em nós movimentos que não sejam narcisistas.
A natureza terrena, precisa morrer. Ela, porém, possui enorme resistência, e só pode ser vencida quando a natureza de Deus ocupa nossas mentes e emoções. Um caminho para enfraquecê-la é não alimentar sua voracidade. “Não fiquem premeditando como satisfazer os desejos da carne”.(Rm 13.14) Ela precisa ficar subnutrida, para perder seu poder de ação. Se satisfeita, torna-se forte e não pode ser combatida.
Por outro lado, precisamos alimentar esta natureza que nos foi dada pelo Espírito. “Andai em Espírito e jamais satisfarei aos impulsos destrutivos da carne.” Uma vida de devoção, de oração sincera, alimenta e nutre a obra de Deus em nós.
Qual natureza você tem alimentado? A natureza terrena, não se contenta em ter menos que o controle e o domínio de toda sua vida. Portanto, faça morrer tudo que se encontra na sua esfera de ação. Ande em Espírito. Busque ao Senhor!
O Sacerdote maltrapilho
“O anjo disse aos que estavam diante dele: Tirem as roupas impuras dele. Depois disse a Josué: Veja, eu tirei de você o seu pecado, e coloquei vestes nobres sobre você.” (Zc 3.4).
Este texto exige um pouco de imaginação. Temos aqui o drama da redenção sendo apresentado de forma clara no Antigo Testamento. A cena é de um tribunal, com o réu sendo acusado de culpado pela promotoria e defendido pelo advogado recebendo a sentença de absolvição pelo juiz. Vários personagens estão presentes: O Sumo sacerdote Josué (3.1); O Anjo do Senhor (3.1); Satanás (3.2); Yahweh – O SENHOR, e as testemunhas “ ((3.4).
Josué encontra-se diante do Anjo do Senhor e Satanás tem grande interesse em acusar Josué. Apesar do diabo ser o pai da mentira, as acusações contra Josué ao verdadeiras. Como ele ousa comparecer diante do Tribunal do Deus Santo? O próprio Deus afirma que Josué é como “um tição tirado do fogo?” Suas roupas estavam sujas, sua roupagem era inadequada para comparecer diante de Deus. Josué não ousa defender-se. Ele não pode se justificar.
O texto nos surpreende porque algo maravilhoso acontece: Josué é absolvido pelo próprio Deus, que faz duas maravilhosas declarações a seu favor: Primeira, afirma que seus pecados foram perdoados. Segunda, Deus lhe deu roupas novas para substituir as roupas impuras e ainda ordena que seja colocado um turbante na sua cabeça, símbolo de dignidade e autoridade.
Este é o cenário da redenção. Assim estamos diante de Deus, absolutamente indefesos. Satanás pode nos acusar porque somos essencialmente culpados. Estamos no tribunal com roupas impuras. Como permanecer em pé diante de Deus Santo, nós que somos marcados pelo pecado? Deus precisa nos perdoar e colocar em nós novas vestes. É exatamente isto que Jesus faz. “O sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1 Jo 1.7) No Livro de Apocalipse lemos que eles nos dá “vestes de linho finíssimos, resplandecente e puro” (Ap 19.8). Esta é a obra do Cordeiro. Ele nos perdoa, nos dá nova roupagem, nos livra da acusação e da condenação e restitui nossa dignidade.
Que grande redenção!
Eu sempre vos amei
"Eu sempre os amei", diz o Senhor. "Mas vocês perguntam: ‘De que maneira nos amaste?” (Ml 1.2)
O livro de Malaquias é feito de controvérsias do povo contra Deus. Deus está sendo duramente questionado e acusado. Por isto, é um livro carregado de paixão e crise. Seu estilo é curioso. Deus se abre para responder às críticas que seu povo lhe faz e fala em sua defesa, como se precisasse se justificar de alguma coisa que estivesse fazendo. Esta “vulnerabilidade” de um Deus Todo-Poderoso, que pode nos consumir com um simples sopro de sua boca, mas que ainda permite esta dinâmica com o homem que não passa de cinza, de pó, é surpreendente nas Escrituras Sagradas.
Malaquias revela a tolice de um povo confrontando Deus, que se encontra no banco dos réus sendo arguido pelos mortais, e o que é ainda mais estranho é que as denúncias vinham de seu próprio povo. Os questionamentos não vinham de um povo secularizado e ateu, mas daqueles que faziam parte dos eleitos de Deus. Sete acusações surgem neste livro: “Em que nos tem amado?” (Ml 1.2). “Em que desprezamos o teu nome?” (Ml 1.6). “E perguntais: Por quê?” (Ml 2.14) “Em que o enfadamos?” (Ml 2.17) “Em que havemos de tornar?” (Ml 3.7) “Em que te roubamos?” (Ml 3.8) “Que temos falado contra ti” (Ml 3.13).
Lamentavelmente é assim que temos nos comportado. Temos uma suspeita luciférica contra Deus e grande dificuldade de perceber o seu amor. Desconfiamos dos seus motivos, não entendemos a grandeza de sua graça e misericórdia, mas apesar da rebeldia, Deus afirma: "Eu sempre os amei."
O amor de Deus é unilateral e insistente, e não depende das nossas ações, não existe nada que possa nos separar desse amor. Ele não nos ama por causa de nossa capacidade de responder ao seu amor. Ele simplesmente nos ama. Talvez esta seja a verdade que menos assimilamos de Deus: O seu obstinado amor a ponto de dar seu único Filho em favor de nossos pecados.
Ainda hoje ele deseja abraçar o seu povo, rebelde, teimoso, questionador. Talvez a coisa mais bela da nossa dinâmica na relação com Deus esteja perdida na nossa existência. “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crer, não pereça, mas tenha a vida eterna.”

