sexta-feira, 24 de setembro de 2021

O Deus de toda consolação

 


Uma das coisas mais fascinantes nas Escrituras é a forma como Jesus descreve o Espírito Santo, chamando-o de Consolador. “Mas eu vos digo a verdade: Convém-vos que eu vá, porque se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei.”(Jo 16.7) Nas horas de crise e angústias, duas coisas são essenciais para nossa vida. A primeira é significado; a segunda, consolo.

No significado, somos visitados com a compreensão de que o valor da vida transcende as tragédias humanas. Diante dos absurdos, da ilogicidade, dos desencontros que nos esmurram existencialmente, conseguimos encontrar algo Superior, que nos faz ver a vida além dos fatos. É assim que o profeta Jeremias lida com seus questionamentos diante da invasão inimiga sobre Jerusalém e o massacre desumano que ele presenciou: “Quero trazer “a memória, o que me pode dar esperança...”  O profeta precisava de algo a-temporal, ultracircunstancial, que desse sentido ‘a vida.

Mas mesmo tendo razões, que a própria razão desconhece, precisamos do conforto e da assistência de Deus. Precisamos ser visitados por uma graça confortadora e transcendental. É isto que o Espírito Santo faz. Ele é o Consolador “...que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia”. (2 Co 1.4). Na dor, na solidão, nos temores, na temida hora do luto, o Espírito de Deus suavemente nos visita trazendo serenidade e paz no meio do pavor e da ameaça.

O Deus das Escrituras Sagradas traz conforto. O Espírito Santo é o nosso consolador. Que maravilhosa benção.


 

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Não se afaste da igreja!

 



Vivemos um tempo no qual muitas pessoas afirmam: “creio na igreja invisível, universal”, mas não creio na igreja local, tangível e presencial, por isto não me envolvo com nenhuma comunidade”. Embora este argumento pareça intelectualmente interessante, ele é biblicamente inconsistente.

Seguem ai sete razões para você não se distanciar da igreja:

1. Este pensamento é contrário à Palavra de Deus. “Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas encorajemo-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês veem que se aproxima o Dia.” (Hb 10.25). Não fazer parte de uma comunidade, é a negação de um princípio essencial da fé cristã. 

2. Quando nos convertemos, somos inseridos no corpo místico de Cristo e numa comunidade visível. “Ora, assim como o corpo é uma unidade, embora tenha muitos membros, e todos os membros, mesmo sendo muitos, formam um só corpo, assim também com respeito a Cristo. Pois em um só corpo todos nós fomos batizados em um único Espírito.” (1 Co 12.12-13)

3. Nunca vi uma pessoa cheia do



Espírito Santo, comprometida com o reino de Deus, fora da igreja, desvinculado de uma comunidade.

4. Todos os grandes movimentos missionários e sociais da igreja cristã, que surgiram na história, influenciaram gerações e abençoaram vidas, vieram de pessoas envolvidas com sus igrejas e foram sustentadas por aqueles que tinham compromisso com sua igreja local.

5. A Bíblia afirma que “somos família de Deus”, “povo de Deus” e não “indivíduos” de Deus. O chamado é para o envolvimento comunitário. 

6. Porque quem idealizou igreja e a criou foi o próprio Senhor Jesus. “Eu edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18). Jesus a edifica, e Jesus a protege. Ele tem compromisso com o seu povo.

7. Você não pode participar dos sacramentos: batismo e Santa Ceia, se não entender a dimensão de um povo histórico, local e concreto, pois “quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si” (1 Co 11.29).


sábado, 28 de agosto de 2021

Ainda não chegou o tempo

 



"Assim diz o Senhor dos Exércitos: Este povo afirma: ‘Ainda não chegou o tempo de reconstruir a casa do Senhor’ ".(Ag 1.2)


A falta de fé e esperança são fatores comuns para a restauração de áreas de nossa vida que precisam ser reparadas. Estes dois elementos estavam impedindo o povo de começar imediatamente a reconstrução do templo.


Provavelmente olhassem para os monturos e escombros e ficassem perguntando: Será que temos condições de reerguer muros e portas? Temos os recursos necessários? A obra parecia tão grande e eles tão poucos em número, se sentiam tão pequenos. Isto retirava de seus corações qualquer possibilidade de esperança de que algo pudesse ser feito.


Não é exatamente assim que fazemos? Muitas vezes há tanta coisa para reconstruir: memórias, afetos, relacionamentos, negócios, casamento, retorno à comunhão com a igreja, mas vamos olhando as dificuldades e continuamos dizendo: “‘Ainda não chegou o tempo”. A Bíblia diz que “Quem observa o vento não plantará; e quem olha para as nuvens não colherá.” (Ec 11.4). 


O tempo já chegou. Na verdade, naqueles dias em Jerusalém, as pessoas tinham recursos. Estavam construindo casas luxuosas para si e se esquecendo das coisas de Deus, daquilo que era essencial. Muitas vezes investimos demais em nossos sonhos, entretenimentos, mas pouco na obra e no reino de Deus. 


O que você precisa fazer para restaurar sua história? Por que você tem procrastinado? Não continue dizendo, “ainda não chegou o tempo”. O tempo chegou. Não deixe para começar a fazer aquilo que é necessário, por insegurança, medo ou apatia. Esta é a hora.

segunda-feira, 16 de agosto de 2021

68 ANOS Igreja Presbiteriana de Anápolis

 



 

O grande desafio de toda igreja estabilizada e solidificada é manter sua identidade e missão em perspectiva. 80% das igrejas históricas no Brasil encontram-se no plateau ou no declínio, isto porque com o passar do tempo, com as estruturas solidificadas, é fácil sofrer certa acomodação e perder a agressividade evangelística e missionária. O peso da história e da tradição também podem ser fatores negativos, quando a igreja olha mais para seu passado que para o futuro. Tende a tornar-se um monumento ao invés de um movimento.

 

Estamos completando 68 anos com alguns elementos importantes da renovação contínua que uma igreja precisa:


A.     Uma liderança renovada. Deus tem sempre nos dado novos líderes, que atualizam a dinâmica da igreja e desafiam os novos desafios históricos que sempre temos que enfrentar.


B.     Novas conversões. Temos visto o evangelho chegando à vida de muitas pessoas que ouvem o evangelho através das pregações, ações ministeriais e pequenos grupos da igreja. Desde 2003, excetuando o ano de 2020 que sofreu os graves efeitos da pandemia, nunca tivemos menos de 60 novos membros sendo recebidos na comunidade.


C.     Ações missionárias. Atualmente apoiamos 23 projetos missionários (sendo que a grande maioria ligados à APMT, Agência Presbiteriana), ao redor do mundo.


D.    Novas Igrejas. Estamos plantando duas novas igrejas diretamente, e ainda apoiamos quatro diferentes projetos, três deles em Goiás, e 1 deles em São Luiz-MA.


E.     Uma liderança comprometida. Nenhuma igreja vai além de sua liderança. Se os presbíteros, diáconos, líderes de pequenos grupos e professores da EBD não possuem compromisso com seu tempo, talento e dinheiro para o projeto local, não podemos esperar isto da comunidade.


Apesar de todos estes fatores que podemos chamar de objetivos, entendemos que nada disto é possível sem a graça de Jesus sobre nós, e o mover do Espírito Santo. Afinal, “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam”. A obra é do Senhor. É Ele quem faz. Somos apenas instrumentos.

 


 

sábado, 3 de julho de 2021

Sem vida por dentro



 

Ganhamos uma linda violenta roxa de presente. Ela chegou em casa viçosa e exuberante. Aos poucos, perdeu naturalmente sua beleza e as flores caíram, mas com os cuidados necessários retomou seu ciclo de folhagens e novas flores foram surgindo. Mas ela é exigente! Ela precisa ser regada constantemente, porque se faltar água, murcha rapidamente.

 

Ao ler o Sl 35.12 vi uma declaração do salmista que me levou imediatamente a fazer um paralelo. Ao ser ameaçado e acusado pelos inimigos, ele afirma que ficou “sem vida por dentro” (tradução A Mensagem. Eugene Peterson). A outra versão bíblica afirma: “Isto é desolação para a minha alma” (RA). Não só a planta pode perder seu vigor, mas nossa alma facilmente perde a vida e a alegria.

 

Quantas pessoas encontram-se “sem vida por dentro”?  Falta o necessário para dar sentido e propósito. Falta “entusiasmo”. Palavra sugestiva, já que vem de dois termos gregos: (en + Theos), isto é “em Deus”.

 

O próprio salmista, porém, sabe onde encontrar este vigor. No mesmo texto ele diz: “...E minha alma se regozijará no Senhor, e se deleitará na sua salvação” (Sl 35.9). Ele sabe que Deus pode trazer deleite e regozijo para sua alma. Deus é a fonte restauradora. Assim como o salmista, mesmo aprisionado Paulo afirmou: “Alegrai-vos sempre no Senhor, outra vez digo, alegrai-vos!” É necessário celebrar, mas a fonte da vida e vigor devem ser encontradas em Deus. Principalmente quando não conseguimos encontrar alegria externamente, e ainda por cima, quando entendemos que não temos capacidade em nós mesmos de nos revigorarmos. Precisamos da vida que vem de Deus. Só ele pode nos renovar de dentro para fora!

 

Rev. Samuel Vieira

domingo, 20 de junho de 2021

Meu tempo é curto!

 


 

Esta é a declaração de Jó ao enfrentar os seus dias de dor e desesperança. Outra versão Bíblica do mesmo texto afirma: “Os meus dias foram maus velozes do que um corredor; fugiram e não viram a felicidade” (Jó 9.25).

 

A Bíblia usa várias metáforas sobre a brevidade da vida.

§  A vida é como um breve pensamento...

§  A vida é como um conto ligeiro...

§  A vida é como a erva: de madrugada viceja e floresce, à tarde murcha e seca.

 

Uma música brasileira faz o seguinte comentário: “A vida é tão rara!”

 

A perda de tantas pessoas queridas durante esta pandemia nos tornou inseguros e angustiados. A morte se tornou uma ameaça muito real. Podíamos contrair o vírus na segunda e ser sepultado no sábado. Assustador.

 

Compreender a brevidade da vida nos assusta mas pode nos tornar sábios. A transitoriedade nos ajuda a não ficarmos apegados às coisas terrenas, a estabelecer prioridades e valores. Nos leva a ponderar sobre “o que conta no final das contas”. Considerar aquilo que realmente importa.

 

Jesus foi muito direto ao falar da nossa tolice em se preocupar tanto com esta vida: “Que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?

Os barulhos da alma

 


 

Um dos grandes desafios da vida de oração é a dificuldade de concentração. Quando começamos a orar, nossa mente facilmente traz à tona uma quantidade imensa de coisas para fazer, contas para pagar, agendas, preocupações diárias, inquietações, e entre todas estas, Jesus falou dos “cuidados da vida e a fascinação da riqueza”. Isto tudo nos priva de foco e concentração. São os barulhos da alma...

 

O Salmista declara:

“Senhor, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar;

não ando a procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim.

Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma;

Como a criança desmamada se aquieta nos bracos de sua mãe,

Como essa criança é a minha alma para comigo” (Sl 131.-12)

 

Eis o grande desafio: fazer calar e sossegar a inquieta alma, criar filtros que impeçam que os barulhos externos ou internos, nos prive da alegria, do descanso, dos preciosos momentos que precisamos ter na presença de Jesus. Infelizmente a sensação que tenho não é de que minha alma consegue sossegar como a criança no colo da mãe, pelo contrário, parece que esta criança está com seus dois anos, inquieta, com seu olhar curioso, movendo-se e querendo ver e tocar todas as coisas, correndo incansavelmente de um lado para o outro.

 

Aquieta minha alma! Sossega! Descansa! Deixe os barulhos longe e silencie-se diante do mistério e da beleza do Eterno.