domingo, 16 de junho de 2013

O sentido da genealogia



Muitos leitores e estudiosos da Bíblia eventualmente se frustram ou desanimam quando lêem as genealogias bíblicas. A leitura se torna enfadonha, cansativa e chata. Qual a razão e valor destas narrativas nas Escrituras?

Primeiro, elas são importantes porque nos fazem perceber que as ambigüidades e tensões antigas não são muito diferentes das que hoje enfrentamos e demonstram a complexidade dos relacionamentos. Tome, por exemplo, o livro de Crônicas:
ü       Calebe se casou com a viúva de seu pai (1 Cr 1.24). Isto é um enorme escândalo! Imagine as fofocas, críticas e comentários que surgiram por causa desta controversa atitude;
ü       O 2º filho de Davi, sucessor imediato na ausência de Amnon, o primogênito, foi Daniel (1 Cr 3.1). Você, por acaso, já ouviu falar deste jovem disputando o trono do Pai depois da morte de seu irmão? Apesar do silêncio bíblico, podemos imaginar quantas indagações surgiram, mas parece que Daniel era pacífico, não entrou na autofagia e luta pelo poder demonstrada pelos demais irmãos.
ü       Acar trouxe desgraça sobre seu povo, por se envolver com ocultismo (1 Cr 2.16). A atração das pessoas pelas coisas demoníacas sempre existiu na história e também estavam presentes naqueles dias.

Segundo, a história sagrada não é construída a partir de forças impessoais ou de idéias abstratas, mas a partir de nomes – Esta afirmação foi feita por Eugene Peterson. “Não há verdadeiro relato histórico sem menção de nomes. Isto chama a atenção para o indivíduo, o peculiar, o pessoal, o que é inerente em toda espiritualidade”. O Deus da Bíblia se identifica como o Deus de Abraão, Isaque e Jacó. A história sagrada nos fala de um Deus relacional, que se articula a partir de nome de pessoas com suas individualidades.

3. Todos os personagens são transitórios – A insistência dos textos em afirmar que eles morreram é repetitiva e enfática. Certa pessoa se converteu ao ler estes textos e pensar sobre si mesmo: “Eu também tenho uma existência passageira. Não posso me esquecer disto!”


O que conta, no final das contas...




O que conta no final das contas não é como você começa, mas como você termina!
Por isto a Palavra de Deus nos exorta a perserverar, somente aquele que não desiste e vai até o fim, receberá a coroa da vida.
A vida cristã não é uma corrida de 100 metros rasos, mas de longa distância. Por isto importa continuar firme, não desistir, não esmorecer.
A vida do Rei Manassés, de acordo com o relato da bíblia, nos ensina claramente isto. Não existe um rei que tenha vivido de forma tão rebelde e desregrada diante de Deus quanto este homem, veja as atrocidades que ele cometeu:
Manassés tinha doze anos de idade quando começou a reinar, e reinou cinqüenta e cinco anos em Jerusalém. Ele fez o que o Senhor reprova, imitando as práticas detestáveis das nações que o Senhor havia expulsado de diante dos israelitas. Reconstruiu os altares idólatras que seu pai Ezequias havia demolido; também ergueu altares para os baalins e fez postes sagrados. Inclinou-se diante de todos os exércitos celestes e lhes prestou culto.
Construiu altares no templo do Senhor, do qual o Senhor tinha dito: "Meu nome permanecerá para sempre em Jerusalém". Nos dois pátios do templo do Senhor ele construiu altares para todos os exércitos celestes. Chegou a queimar seus filhos em sacrifício, no vale de Ben-Hinom; praticou feitiçaria, adivinhação e magia, e consultou médiuns e espíritas. Fez o que o Senhor reprova, provocando-o à ira. Ele tomou a imagem esculpida que havia feito e a colocou no templo, do qual Deus tinha dito a Davi e a seu filho Salomão: "Neste templo e em Jerusalém, que escolhi dentre todas as tribos de Israel, porei meu nome para sempre.
Não farei os pés dos israelitas deixarem novamente a terra que dei aos seus antepassados, se tão-somente tiverem o cuidado de fazer tudo o que lhes ordenei em todas as leis, os decretos e as ordenanças dados por meio de Moisés". Manassés, porém, desencaminhou Judá e o povo de Jerusalém, a ponto de fazerem pior do que as nações que o Senhor havia destruído diante dos israelitas.
  2 Cr 33.1-9

Sua maldade parece não ter fim, parece não haver esperança para ele, mas veja o que lhe acontece no final da vida:
O Senhor falou a Manassés e a seu povo, mas não lhe deram atenção. Por isso o Senhor enviou contra eles os comandantes do exército do rei da Assíria, os quais prenderam Manassés, colocaram-lhe um gancho no nariz e algemas de bronze, e o levaram para a Babilônia. Em sua angústia, ele buscou o favor do Senhor, o seu Deus, e humilhou-se muito diante do Deus dos seus antepassados. Quando ele orou, o Senhor o ouviu e atendeu o seu pedido; de forma que o trouxe de volta a Jerusalém e a seu reino. E assim Manassés reconheceu que o Senhor é Deus. Depois disso ele reconstruiu e aumentou a altura do muro externo da cidade de Davi, a oeste da fonte de Giom, no vale, até a entrada da porta do Peixe, em torno da colina de Ofel. Também pôs comandantes militares em todas as cidades fortificadas de Judá. Manassés tirou do templo do Senhor os deuses estrangeiros e a imagem que lá havia colocado, bem como todos os altares idólatras que havia construído na colina do templo e em Jerusalém; e jogou-os fora da cidade. Então restaurou o altar do Senhor e sobre ele ofereceu sacrifícios de comunhão e ofertas de gratidão, ordenando a Judá que servisse o Senhor, o Deus de Israel.  2 Cr 33.10-16
Teve um péssimo começo, uma vida atropelada, mas terminou em arrependimento e volta ao Senhor. Por isto vale a exortação bíblica: “Guarda o que tens, para que ninguém lhe tome a coroa!”

Samuel Vieira

terça-feira, 28 de maio de 2013

Apostasia




Jesus afirma que um dos sinais que precederiam a sua vinda seria a Apostasia, ou o abandono da fé. Paulo afirma que nos últimos dias, muitos se apostarão da fé, dando ouvidos a ensinos de demônios (1 Tm 4.1).
Sempre pensamos em apostasia em termos de pessoas alheias a Deus, mas na verdade, só pode se apostatar aquele que já creu. Trata-se, portanto, de pessoas que outrora criam, mas que agora desprezam as verdades de Deus e andam pelos seus próprios caminhos. Outro equivoco comum é imaginar que o sinal da apostasia serão igrejas vazias, mas pode ser que as igrejas estejam cheias, lotadas, mas de pessoas descrentes, assumindo uma espiritualidade que fala de tudo, mas não diz nada, e que não leva as pessoas a conhecerem a Deus e assumirem um compromisso de vida com o Senhor.
Jesus afirma que Satanás enganaria a muitos, e “se possível”, os próprios eleitos. Isto demonstra o poder de persuasão que ele empregará para afastar pessoas do caminho de Deus. Mostra ainda que até mesmo pessoas piedosas e presumivelmente cristãs poderão ser dissuadidas a desistirem de Jesus. A estratégia do inferno é fazer com que as coisas se pareçam tanto com o Evangelho que levará pessoas desatentas à apostasia. Satanás se transforma em anjo de luz, e faz seus anjos parecerem ministros da justiça.
Os falsos profetas surgirão vestindo mantos de unção apostólica, falando em nome de Cristo, com ofertas atraentes e baratas para atrair pessoas incautas. Os falsos cristos não serão pessoas malucas, com caricatura dos tipos messiânicos, mas trazendo conceitos errados e valores desvirtuados para enganar a muitos.

Paulo dá três conselhos a Timóteo para se manter firme:

1.      Exercita-te pessoalmente na piedade – Guarde sua vida com Deus. Leia a Bíblia com devoção, preste atenção às palavras dos sermões bíblicos que você ouve, cante louvores a Deus, envolva-se no ministério.

2.      Não despreze o dom que há em ti – Não negocie, por nenhum prazer, dinheiro ou poder, aquilo que você recebeu de Deus. Propostas atraentes virão para seduzir. Diga não!!

3.      Cuide de ti mesmo e da doutrina – Uma advertência tem caráter pessoal, outra funcional. “Cuidar de si mesmo”, é vigiar contra as tentações, não descuidar de um caráter integro, não negociar a consciência; “cuidar da doutrina” é ficar firme nos valores do reino de Deus, que você tem estudado na Palavra de Deus. É muito atraente flexibilizar princípios, verdades e ética. Tome cuidado!

sexta-feira, 10 de maio de 2013

DEUS É BOM !!!




Certa vez, num reino muito distante, havia dois amigos inseparáveis. Um era o rei e o outro era o seu conselheiro. Certa ocasião, na temporada anual de caça, os dois saíram para caçar e durante o caminho, o amigo do rei vinha falando da bondade de Deus, e cada vez que contemplavam a natureza e a beleza da criação de Deus ele repetia: DEUS É BOM!
Ao avistarem a presa, prepararam a arma, mas quando o rei atirou, o tiro literalmente "saiu pela culatra", acertando em cheio o seu dedo mindinho da mão direita.
O rei ficou indignado e virando-se para o amigo o questionou se mesmo depois do que tinha acontecido, ele ainda achava que DEUS ERA BOM?? Mediante a resposta positiva de seu amigo, o rei mandou prendê-lo até ele se convencer que Deus não era tão bom assim, pois não o impediu de perder seu precioso dedo.
Um ano se passou, e por ocasião da temporada de caça, a comitiva real decidiu ir a terras mais longínquas, pois a caça já estava escassa naquela região. Foram parar então em uma terra dominada por canibais, onde foram todos capturados, inclusive o rei.
Quando chegou a hora do jantar, o cozinheiro dos canibais verificou que um dos prisioneiros não tinha um dos dedos, e como era costume, eles não comiam ninguém mutilado, pois além da carne ser considerada dura e de paladar ruim, diziam ainda que era amaldiçoado pelos deuses. Assim, de toda a comitiva, somente o rei voltou com vida para o seu reino.
Ao chegar, mandou libertar seu amigo. Agora, com a firme certeza – e prova – de como Deus realmente é bom, e do modo maravilhoso com que preservou sua vida. Sendo assim, o rei pediu perdão para o seu amigo e ouviu a seguinte declaração:
- É claro que o perdôo alteza. Deus realmente é muito bom, pois se eu não tivesse ficado preso no calabouço, com certeza teria ido com a comitiva e provavelmente a esta hora eu já teria morrido!

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Fé que não custa nada...



Dentre as muitas narrativas sobre a vida do rei Davi, uma é pouco conhecida. Trata-se de sua experiência de receber uma exortação de um profeta dizendo que ele deveria ir até a fazenda de Araúna, no local em que ele costumava malhar trigo, e ali oferecer um altar para o Senhor, para que a ira de Deus se retirasse de Israel .
Davi então obedece e se dirige ao local indicado, e quando Araúna vê Davi chegando com sua comitiva, e ao saber das suas intenções, coloca sua lenha, terreiro e bois à disposição do rei para as oferendas, mas Davi se recusa alegando que não oferecia ao Senhor, sacrifícios que não lhe custavam nada.

Davi demonstra que precisava pagar o preço se desejasse ofertar algo a Deus. Este é um grande desafio para nossas vidas. Queremos uma fé que não custe nada, que não exija nada, queremos um discipulado sem compromisso, que não nos tire de nossa zona de conforto e desejamos uma graça barata. Queremos adorar a Deus, desde que isto não nos desafie nem nos incomode. Palavras como sacrifício, obediência, compromisso e santidade são facilmente descartadas. Queremos as bençãos de Deus e os favores que dele podemos receber, nosso vínculo porém deve ser superficial. Não queremos pagar nenhum preço... queremos uma fé que não nos custe nada!

Enquanto Davi se recusa ao culto barato, sem doação de si mesmo, estamos querendo o contrário. Por isto temos muitos que desejam um discipulado cristão estabelecendo as regras do discipulado. “Vou seguir a Jesus assim...” Afinal, quem estabelece as condições? Deus ou os homens? Jesus foi claro: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, e siga-me!”. As condições são claras: Ele estabelece o custo e diz o preço, e nós, aceitamos ou rejeitamos suas condições.

Quanto do seu tempo e das suas prioridades, dos seus talentos e dons, dos seus recursos e dinheiro, você tem dado “sacrificialmente” a Cristo? Você já trouxe a Deus uma oferta que você surpreendentemente generosa? Já se dispôs a se envolver num ministério, ou num departamento da igreja, mesmo que isto o obrigue a deixar alguma atividade ou entretenimento?

O princípio é simples e radical: “Fé que não custa nada... não vale nada!”

segunda-feira, 18 de março de 2013

A Igreja do Século XXI




A Bíblia afirma que Jesus “expunha a palavra, conforme o permitia a capacidade dos ouvintes” (Mc 4.33). Isto nos mostra que ele estava interessado em atualizar a mensagem de Deus aos homens daqueles dias, para que a Palavra se tornasse compreensível e fizesse sentido aos seus corações. Este é o modelo e um exemplo a ser seguido ainda hoje. Como esta igreja deve agir para se atualizar.

  1. A igreja do Século XXI deve ser contextualizada. Isto é, precisa estar conectada com o momento particular que vive. Quais são as mudanças de paradigmas, tendências e questionamentos que pairam no coração desta geração? Novas abordagens e leituras eclesiais precisam ser feitas para interpretar o Evangelho à luz dos eventos atuais;

  1. A igreja do Século XXI precisa investir em liderança emergente – isto é, precisa reciclar os líderes existentes, desafiar pessoas novas a assumir seu lugar no Reino. Se não renovarmos nossa liderança, corremos o risco de nos perdermos no tempo;

  1. A igreja do Século XXI precisa ser acolhedora – Numa época de despersonalização e coisificação do ser humano, a receptividade da igreja, o acolhimento aos que chegam e a vida comunitária tornam-se extremamente relevantes. O que vai determinar a dinâmica da igreja, mais e mais, é o envolvimento comunitário e a capacidade de acolhimento.

  1. A igreja do Século XXI, precisa ser generosa – Não pode ser uma comunidade voltada para apenas para seus próprios interesses, mas precisa refletir sobre a sociedade carente, dar resposta de amor/serviço, criar parcerias para abençoar os pobres e os que sofrem em nossa nação.

  1. A Igreja do Século XXI, não pode perder os fundamentos do Evangelho – O Evangelho nunca deixou de ser a resposta para a sociedade secularizada e esotérica. Só Jesus tem a capacidade de lidar com as sombras emocionais e a ação de demônios que tão costumeiramente agem na história.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Com os olhos da fé




Sempre considerei importante ler a Bíblia em versões diferentes, porque nos ajuda a enxergar as mesmas verdades por ângulos diferentes. Quando muda-se a linguagem e a terminologia, e novos vocabulários são utilizados, podemos eventualmente até mesmo nos assustar quando acessamos velhos e conhecidos textos.
Em Josué 23.4, lemos: “Eu distribui entre as tribos, para serem propriedade delas, as terras das nações que ainda não foram conquistadas”.
Fiquei refletindo sobre esta palavra. Ao fazer a divisão das terras entre as tribos, Josué não considera apenas as já conquistadas, mas considera reais, as que ainda serão alcançadas, pois já haviam sido prometidas por Deus.
Tal é a natureza da fé. Ela não parte do pressuposto daquilo que já possui, mas vislumbra aquilo que ainda é prometido, tendo a compreensão de que o que ainda não existe, já é uma realidade. Fé, como a visão, é a antecipação do futuro. Consegue se assenhorear daquilo que ainda não é, mas dialeticamente, já é!
Josué distribui terras que ainda estavam sob o domínio de outras nações. Seus olhos contemplam possibilidades, e não apenas realidades. Josué se nutre não apenas da história, mas da utopia inerente à esperança.
Na hora de repartir as terras, poderia acontecer de alguém questionar este critério: “Ok, Josué, você está nos dando algo que ainda não existe?” e sua resposta seria: “Esta terra já é nossa, ou você dúvida disto?”
Tal é natureza da fé, antecipa-se e constrói o futuro.