Eu preciso admitir: Gostaria de ter a mesma fibra, determinação e ousadia de Anna Hazare, ativista anticorrupção que se tornou um ícone da Índia, ao desencadear uma cruzada contra os sucessivos escândalos dos serviços públicos. 74% dos indianos acreditam que a corrupção do país aumentou significativamente nos últimos três anos.
Tanto lá, como no Brasil, fala-se de corrupção endêmica. “Designa-se endemia qualquer factor mórbido ou doença espacialmente localizada, temporalmente ilimitada, habitualmente presente entre os membros de uma população”. (Wikipédia). Hazare, aos 74 anos, tem sido chamado de “o novo Ghandhi”. O governo bem que tentou reprimir seu protesto, o primeiro ministro Singh ordenou sua prisão, mas o resultado foi catastrófico, pois muitas pessoas que estavam alheias, resolveram engrossar as fileiras de manifestação no país.
O Brasil precisa de pessoas assim. Nossa endêmica corrupção tem se tornado cultural. Em todos os níveis, municipal, estadual e Federal servidores públicos e empresários de mau caráter querem tirar vantagem através de favorecimentos ilícitos, arranjos e troca de favores. As pessoas já acreditam que não vão conseguir a aprovação de um projeto civil, de uma construção, da liberação de documentos sem “molhar a mão” do fiscal ou do funcionário. Isto é um Cancro ou Câncer social, “doença caracterizada por uma população de células que cresce e se divide sem respeitar os limites normais, invade e destrói tecidos adjacentes, e pode se espalhar para lugares distantes no corpo, através de um processo chamado metástase” (Wikipédia).
A corrupção premia a ineficiência, destrói a meritocracia, enfraquece os valores, arrebentando gerações a médio e longo prazo. Países corruptos, historicamente, se tornam burocráticos e ineficientes. Tenho visto funcionários e empresários de caráter passando por verdadeiras agonias, por resistirem ao suborno e verem seus projetos postergados e engavetados por aqueles que decidiram alicerçar suas vidas sobre esta areia movediça.
Três trechos bíblicos nos advertem severamente sobre os efeitos deletérios da corrupção. O primeiro afirma que ela traz prejuízos para a família: “O que é ávido por lucro desonesto, transtorna sua casa; mas o que odeia o suborno, esse viverá” (Pv 15.27); O segundo mostra o prejuízo social. Nenhum país se sustenta com um cancro tão maligno quanto este. “O perverso aceita suborno secretamente, para perverter as veredas da justiça” (Pv 17.23). O terceiro revela que o suborno destrói a dignidade e o mundo psicológico daquele que o pratica, já que a pessoa se desorienta com o ganho ilegal. “Também suborno não aceitarás, porque o suborno cega até o perspicaz e perverte as palavras do justo” (Ex 23.8).
Ao ver a atitude de Anna Hazare, torço para que alguém, com mais fibra e ousadia que eu, se levante no Brasil, mobilizando pessoas com disposição para lutar contra esta trágica e aflitiva ética, que tem trazido danos quase irreparáveis à nossa nação.
Jornal Contexto
Anapolis 22 Agosto
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
A Grande Inversão e a Apatia
Os eventos relacionados à prisão dos líderes da gang do Ministério de Turismo chamam a atenção. A Controladoria Geral da União (CGU) investiga o desvio de recursos destinados a eventos em centenas de municípios, financiados majoritariamente por emendas parlamentares. Só este ano, receberam ajuda financeira cerca de 1.500 eventos "que atraem fluxo turístico" no total de mais de R$ 250 milhões. A CGU suspeita que prefeitos, ONGs e deputados federais prestam contas com notas fiscais frias para justificar despesas.
A notícia em si já nos deveria assustar, mas como estamos tão “acostumados ao mal”, não conseguimos perceber quão profunda é a doença da corrupção. A pior das mortes não é a morte em si, mas a apatia. Achamos que o mal é normal. “Todo mundo faz assim”. Esta endemia, pandemia ou epidemia, qualquer nome que se dê à sistematização do mal, é pior do que o mal em si.
“O ódio não é o oposto do amor, e sim a apatia. O oposto da vontade não é a indecisão, e sim não envolver-se, ficar desligado... Apatia (a-pathos) é uma fuga do sentir. A apatia opera como o instinto da morte de Freud” (Rollo May).
A Presidente Dilma Rousseff, se pronunciou a respeito, afirmou que estava “furiosa” e “irritada”. Infelizmente não disse que se sentia assim por causa do escândalo e sim pelo procedimento abusivo da Polícia Federal, que teria cometido exageros na prisão dos 35 suspeitos envolvidos no desvio de verba.
Nossa Presidente tem todo direito de se sentir irritada. O problema de sua ira é que ela se deslocou. Por causa da pressão das bases aliadas, sua indignação caminhou na direção errada. O problema deixou de ser o crime para se tornar a forma como se trata os criminosos.
Já não é a primeira vez que isto acontece. Na Operação Satiagraha em 2004, que resultou na prisão de vários banqueiros e investidores, abriu-se uma verdadeira "caixa de Pandora". Negócios ligados ao nome do banqueiro Daniel Dantas, e o governo foram colocados no centro do debate político de uma hora para outra. A PF apreendeu, no apartamento do banqueiro documentos que comprovam o pagamento de propinas a políticos, juizes, jornalistas no valor de R$ 18 milhões. Naquela ocasião, como agora, a Policia Federal se tornou a vilã, por não ter adotado todos os procedimentos corretamente. Inverteu-se o foco. Quem aplica a lei torna-se o centro da discussão e não quem infringiu a lei.
Naturalmente, abusos de poder por parte de policiais devem ser sempre analisados – é sempre arriscado quando agentes da lei se transformam na lei em si mesma. Por outro lado, é importante não transformar quem deveria ser herói em marginal. Quando isto se dá, inverte-se a lógica. A reação às ações da PF ganharam mais destaque que os atos criminosos dos agentes do Ministerio de Turismo.
Esta inversão é perversa e profundamente arriscada...
Jornal Contexto - anapolis
17 Agosto
A notícia em si já nos deveria assustar, mas como estamos tão “acostumados ao mal”, não conseguimos perceber quão profunda é a doença da corrupção. A pior das mortes não é a morte em si, mas a apatia. Achamos que o mal é normal. “Todo mundo faz assim”. Esta endemia, pandemia ou epidemia, qualquer nome que se dê à sistematização do mal, é pior do que o mal em si.
“O ódio não é o oposto do amor, e sim a apatia. O oposto da vontade não é a indecisão, e sim não envolver-se, ficar desligado... Apatia (a-pathos) é uma fuga do sentir. A apatia opera como o instinto da morte de Freud” (Rollo May).
A Presidente Dilma Rousseff, se pronunciou a respeito, afirmou que estava “furiosa” e “irritada”. Infelizmente não disse que se sentia assim por causa do escândalo e sim pelo procedimento abusivo da Polícia Federal, que teria cometido exageros na prisão dos 35 suspeitos envolvidos no desvio de verba.
Nossa Presidente tem todo direito de se sentir irritada. O problema de sua ira é que ela se deslocou. Por causa da pressão das bases aliadas, sua indignação caminhou na direção errada. O problema deixou de ser o crime para se tornar a forma como se trata os criminosos.
Já não é a primeira vez que isto acontece. Na Operação Satiagraha em 2004, que resultou na prisão de vários banqueiros e investidores, abriu-se uma verdadeira "caixa de Pandora". Negócios ligados ao nome do banqueiro Daniel Dantas, e o governo foram colocados no centro do debate político de uma hora para outra. A PF apreendeu, no apartamento do banqueiro documentos que comprovam o pagamento de propinas a políticos, juizes, jornalistas no valor de R$ 18 milhões. Naquela ocasião, como agora, a Policia Federal se tornou a vilã, por não ter adotado todos os procedimentos corretamente. Inverteu-se o foco. Quem aplica a lei torna-se o centro da discussão e não quem infringiu a lei.
Naturalmente, abusos de poder por parte de policiais devem ser sempre analisados – é sempre arriscado quando agentes da lei se transformam na lei em si mesma. Por outro lado, é importante não transformar quem deveria ser herói em marginal. Quando isto se dá, inverte-se a lógica. A reação às ações da PF ganharam mais destaque que os atos criminosos dos agentes do Ministerio de Turismo.
Esta inversão é perversa e profundamente arriscada...
Jornal Contexto - anapolis
17 Agosto
Geração Cogumelo
Zeca Baleiro, cantor e compositor, escreveu curioso artigo na Revista “Isto é” de 20.07.2011: “Cabeça”. Ele afirma que achou estranho o título de dois livros falando de pessoas extraordinárias: “A cabeça de PeterDrucker”, e “A cabeça de Steve Jobs”. Seu comentário é o seguinte: “Apesar do culto a essas mentes brilhantes, este mundo hipermoderno e ultra capitalista não preza, infelizmente, o que as cabeças tem de mais especial – A própria capacidade de pensar e criar com originalidade e personalidade”. No final do artigo conclui: “Agora vejo as cabeças estampadas nas capas dos livros com receitas infalíveis de sucesso e me pergunto: quando é que dedicarão um livro à alma de Steve Jobs? Quando isso acontecer, talvez comece a me interessar por tal literatura”.
Esta é uma grande questão antropológica: Temos gerado uma ruptura no ser humano, como se ele fosse constituído apenas de cabeça, ou de alma, ou de corpo. Não integramos as partes neste todo estético.
Muitos se tornaram apenas corpo. Sua preocupação é com a beleza física, e transformaram sua vida numa obsessão ou mesmo religião. O termo fisiculturismo traz, etimologicamente, a idéia de sacralidade, já que fala de “culto ao corpo”. Pessoas cultuando seus corpos se tornam apenas músculos!
Por outro lado, outros se tornam cérebro. Somos a “Geração Cogumelo”. Cabeça grande, peito pequeno... Não há grandeza de coração, em muitos admiráveis seres humanos, embora sejam cultos, inteligentes e brilhantes. Isto gera uma espécie de “autismo extrovertido”, levando pequenos gênios à mesquinhez de alma e pobreza de relacionamentos. São pessoas que se casam, mas nunca se permitem penetrar e deixar-se penetrar na alma do outro. Gente assim, se masturba no ato sexual. Torna-se ser sem alma, existencialmente pobre.
Precisamos ler mais biografia sobre humanidade que sobre cérebros de pessoas excepcionais.
Não somos autômatos! Não vivemos para ter apenas um corpo sarado e uma mente brilhante. Muitas mulheres bonitas se tornam plásticas e solitárias em seu narcisismo, não são capazes de amar. Estão enamoradas de si mesmo e de seu exibicionismo narcisista e foram transformadas em ícones de bumbuns e silicones.
Pessoas brilhantes do ponto de vista acadêmico facilmente se tornam distanciadas e mal resolvidas afetivamente: Cabeças cheias de equações, idéias e pensamentos, mas coração vazio de significado, amor e valor.
Equilibrar corpo/mente/alma é o nosso desafio. Não apregoamos a mediocridade intelectual, nem a feiúra poética, mas a capacidade de ser integralmente humano, articulando estes diferentes pólos no significado de ser gente. Ser “cabeça”, apenas, é muito pouco...
Jornal Contexto Anapolis
10 Agosto
Esta é uma grande questão antropológica: Temos gerado uma ruptura no ser humano, como se ele fosse constituído apenas de cabeça, ou de alma, ou de corpo. Não integramos as partes neste todo estético.
Muitos se tornaram apenas corpo. Sua preocupação é com a beleza física, e transformaram sua vida numa obsessão ou mesmo religião. O termo fisiculturismo traz, etimologicamente, a idéia de sacralidade, já que fala de “culto ao corpo”. Pessoas cultuando seus corpos se tornam apenas músculos!
Por outro lado, outros se tornam cérebro. Somos a “Geração Cogumelo”. Cabeça grande, peito pequeno... Não há grandeza de coração, em muitos admiráveis seres humanos, embora sejam cultos, inteligentes e brilhantes. Isto gera uma espécie de “autismo extrovertido”, levando pequenos gênios à mesquinhez de alma e pobreza de relacionamentos. São pessoas que se casam, mas nunca se permitem penetrar e deixar-se penetrar na alma do outro. Gente assim, se masturba no ato sexual. Torna-se ser sem alma, existencialmente pobre.
Precisamos ler mais biografia sobre humanidade que sobre cérebros de pessoas excepcionais.
Não somos autômatos! Não vivemos para ter apenas um corpo sarado e uma mente brilhante. Muitas mulheres bonitas se tornam plásticas e solitárias em seu narcisismo, não são capazes de amar. Estão enamoradas de si mesmo e de seu exibicionismo narcisista e foram transformadas em ícones de bumbuns e silicones.
Pessoas brilhantes do ponto de vista acadêmico facilmente se tornam distanciadas e mal resolvidas afetivamente: Cabeças cheias de equações, idéias e pensamentos, mas coração vazio de significado, amor e valor.
Equilibrar corpo/mente/alma é o nosso desafio. Não apregoamos a mediocridade intelectual, nem a feiúra poética, mas a capacidade de ser integralmente humano, articulando estes diferentes pólos no significado de ser gente. Ser “cabeça”, apenas, é muito pouco...
Jornal Contexto Anapolis
10 Agosto
A incurável Dor
Aos 27 anos, Amy Winehouse foi encontrada morta, assim como outros famosos e mitológicos artistas que morreram ainda na juventude: Jimmy Hendrix e Kurt Kobain, se foram com a mesma idade, e provavelmente pela mesma razão - overdose. Todos estes pop stars tiveram características similares: Vidas atribuladas, escândalos, internações, fama, riqueza, popularidade e muito vazio existencial.
Creio que a característica comum em todos eles é o quadro definido psiquiatricamente como “angústia primal”, que gera um vazio enorme na alma e uma dor sem cura. A ausência de significado, associada ao uso da droga é quase sempre uma mistura fatal. O que leva pessoas tão celebradas a seguirem este caminho da auto destruição nas drogas e no alcoolismo?
Algum tempo atrás, o ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, Fez uma declaração estranha: "Bobagem essa coisa que inventaram que os pobres vão ganhar o reino dos céus. Nós queremos o reino agora, aqui na Terra. Para nós inventaram um slogan que tudo tá no futuro. É mais fácil um camelo passar no fundo de uma agulha do que um rico ir para o céu. O rico já está no céu, aqui. Porque um cara que levanta de manhã todo o dia, come do bom e do melhor, viaja para onde quer, janta do bom e do melhor, passeia, esse já está no céu".
Ao acompanharmos a trajetória de Winehouse, podemos ver que Lula está equivocado: Riquezas, conforto e popularidade não são capazes de resolver a dor de um coração insatisfeito. “Mais de nada, leva-nos a lugar algum”... Blaise Pascal, matemático e filósofo, afirmou que “o homem tem um vazio em forma de Deus”.
É com compaixão e tristeza que vemos mais uma pessoa talentosa como Winehouse, perder a batalha da vida, porque não encontrou resposta para sua dor incurável, sua solidão e angústia. A droga que ela consumia e que a consumiu é apenas a ponta do iceberg da sua incurável dor, assim como de milhares de outros que também caminham entre nós, com este “pesado e vazio” sentimento de que lhes falta algo.
Fico pensando se não foi por esta razão que Jesus fez aquele convite conhecido: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve" (Mateus 11:28-30).
Riqueza, fama e popularidade não conseguem nos levar até o céu e nem impedem que o inferno adentrem nosso coração. O inferno não está ausente na vida das celebridades e do homem comum. Inferno, antes de ser um lugar, é um estado de alma.
Jornal Contexto
01 Agosto 2011
Creio que a característica comum em todos eles é o quadro definido psiquiatricamente como “angústia primal”, que gera um vazio enorme na alma e uma dor sem cura. A ausência de significado, associada ao uso da droga é quase sempre uma mistura fatal. O que leva pessoas tão celebradas a seguirem este caminho da auto destruição nas drogas e no alcoolismo?
Algum tempo atrás, o ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, Fez uma declaração estranha: "Bobagem essa coisa que inventaram que os pobres vão ganhar o reino dos céus. Nós queremos o reino agora, aqui na Terra. Para nós inventaram um slogan que tudo tá no futuro. É mais fácil um camelo passar no fundo de uma agulha do que um rico ir para o céu. O rico já está no céu, aqui. Porque um cara que levanta de manhã todo o dia, come do bom e do melhor, viaja para onde quer, janta do bom e do melhor, passeia, esse já está no céu".
Ao acompanharmos a trajetória de Winehouse, podemos ver que Lula está equivocado: Riquezas, conforto e popularidade não são capazes de resolver a dor de um coração insatisfeito. “Mais de nada, leva-nos a lugar algum”... Blaise Pascal, matemático e filósofo, afirmou que “o homem tem um vazio em forma de Deus”.
É com compaixão e tristeza que vemos mais uma pessoa talentosa como Winehouse, perder a batalha da vida, porque não encontrou resposta para sua dor incurável, sua solidão e angústia. A droga que ela consumia e que a consumiu é apenas a ponta do iceberg da sua incurável dor, assim como de milhares de outros que também caminham entre nós, com este “pesado e vazio” sentimento de que lhes falta algo.
Fico pensando se não foi por esta razão que Jesus fez aquele convite conhecido: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve" (Mateus 11:28-30).
Riqueza, fama e popularidade não conseguem nos levar até o céu e nem impedem que o inferno adentrem nosso coração. O inferno não está ausente na vida das celebridades e do homem comum. Inferno, antes de ser um lugar, é um estado de alma.
Jornal Contexto
01 Agosto 2011
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Teus pecados estão perdoados
Jay Adams, conhecido terapeuta cristão, declara que boa parte de nossas doenças mentais seriam curadas se ao menos tivéssemos uma compreensão clara de que nossos pecados e culpas foram perdoados.
Vivemos numa sociedade angustiada pelo senso de culpa, ainda que o conceito de culpa/perdão esteja tão relativizado. Quantas angústias experimentamos por nos sentimos culpados?
Boa parte de nossa culpa tem história e etiologias, algumas podem ser nomeadas, possuem faces, horário, cenário e ambientação. Outras porém, são ocultas, não identificadas, confusas, geram um senso de incompletude, sentido e escondem-se nos submundos de nossa repressão e neurose das quais não temos memória identificável. Por não terem uma face, tornam-se mais cruéis. Operam como uma cortina de fumaça e se ocultam nos recônditos de nosso inconsciente. São letais, brotando em forma de sintomas que vão, desde uma simples dor de cabeça, à angústia, doenças psicossomáticas, reações alérgicas, depressão, desejo de morte, amargura com a vida e com Deus.
Por isto Jesus disse de forma enigmática a um homem paralítico: “Teus pecados estão perdoados”. Todos se assustaram com a declaração, afinal este homem, aparentemente, precisava de cura física, mas Jesus se dirige ao aspecto subjetivo de sua alma, que era pior que a doença visível. Jesus enxerga, por detrás da dor, a doença mais profunda. Os homens viam o sintoma, Jesus via a causa. Os homens analisavam o acidente; Jesus, a essência.
Existe a dor que se vê, se reconhece e se fala; mas existe a dor não diagnosticada, não dita, a dor do silêncio: Homens cuja dor não terapeutizada é a relação ambígua com a figura paterna; mulheres, silenciadas em mordaças cruéis do abuso sofrido e da violência de uma família disfuncional; o filho coisificado que experimenta a dor não expressa. Em todos estes casos, está presente a culpa gerada da impotência e amargura. Sentem-se culpados por não conseguirem dizer ou pela rejeição mordaz.
Ouvir de Deus que somos perdoados, é uma maravilhosa declaração: Libertadora, renovadora e restauradora.
Você já ouviu esta declaração de plena redenção que vem da voz do filho de Deus ao seu coração? Na cruz, uma de suas últimas palavras foi: “Está consumado!”. O significado destas palavras é o seguinte: “Não há mais culpa! Aquela duplicata de débitos foi rasgada”. Foi isto que o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, fez por nós na cruz. Ele nos redimiu. Pagou o preço de nossa liberdade.
Vivemos numa sociedade angustiada pelo senso de culpa, ainda que o conceito de culpa/perdão esteja tão relativizado. Quantas angústias experimentamos por nos sentimos culpados?
Boa parte de nossa culpa tem história e etiologias, algumas podem ser nomeadas, possuem faces, horário, cenário e ambientação. Outras porém, são ocultas, não identificadas, confusas, geram um senso de incompletude, sentido e escondem-se nos submundos de nossa repressão e neurose das quais não temos memória identificável. Por não terem uma face, tornam-se mais cruéis. Operam como uma cortina de fumaça e se ocultam nos recônditos de nosso inconsciente. São letais, brotando em forma de sintomas que vão, desde uma simples dor de cabeça, à angústia, doenças psicossomáticas, reações alérgicas, depressão, desejo de morte, amargura com a vida e com Deus.
Por isto Jesus disse de forma enigmática a um homem paralítico: “Teus pecados estão perdoados”. Todos se assustaram com a declaração, afinal este homem, aparentemente, precisava de cura física, mas Jesus se dirige ao aspecto subjetivo de sua alma, que era pior que a doença visível. Jesus enxerga, por detrás da dor, a doença mais profunda. Os homens viam o sintoma, Jesus via a causa. Os homens analisavam o acidente; Jesus, a essência.
Existe a dor que se vê, se reconhece e se fala; mas existe a dor não diagnosticada, não dita, a dor do silêncio: Homens cuja dor não terapeutizada é a relação ambígua com a figura paterna; mulheres, silenciadas em mordaças cruéis do abuso sofrido e da violência de uma família disfuncional; o filho coisificado que experimenta a dor não expressa. Em todos estes casos, está presente a culpa gerada da impotência e amargura. Sentem-se culpados por não conseguirem dizer ou pela rejeição mordaz.
Ouvir de Deus que somos perdoados, é uma maravilhosa declaração: Libertadora, renovadora e restauradora.
Você já ouviu esta declaração de plena redenção que vem da voz do filho de Deus ao seu coração? Na cruz, uma de suas últimas palavras foi: “Está consumado!”. O significado destas palavras é o seguinte: “Não há mais culpa! Aquela duplicata de débitos foi rasgada”. Foi isto que o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, fez por nós na cruz. Ele nos redimiu. Pagou o preço de nossa liberdade.
Nada muda – Então, o que muda?
Cláudio Ptolomeu (85-165) foi um extraordinário astrônomo egípcio de Alexandria (120-145), e o último dos grandes sábios gregos. Procurou sintetizar o trabalho de seus predecessores e sua tese, foi adotada durante toda Idade Média. Seu mapa-mundi era composto de um conjunto de 26 mapas regionais e sua obra foi fundamental para a evolução da cartografia, vigorando até a Revolução de Copérnico (1543). Desenvolveu o conceito de que a terra possuía um centro fixo, com o sol e todas as estrelas girando ao seu redor.
No século 16, porém, Copérnico, um astrônomo polonês, mudou esta concepção ao afirmar que não era o sol que girava em torno da terra, e sim o contrário. A passagem de Ptolomeu para Copérnico foi uma mudança básica de paradigma e causou muita discussão entre a igreja e a ciência.
Copérnico escreveu ODE REVOLUTIONIBUS, que deixou de ser publicado por 20 anos, por medo da perseguição religiosa. Até então, acreditava-se que o planeta terra fosse o centro do universo (Geocêntrico), e agora outra tese ensina que a terra gravita em torno do sol (Heliocêntrico). Desde Aristóteles, era dado como certo que o céu nunca muda. Agora muda-se a noção de quem somos e de como o cosmo funciona, assim como a noção de tempo. Isso subvertia radicalmente a visão da realidade que se confiava à experiência dos sentidos.
Mas o que mudou? Copérnico mudou a terra de lugar? Mudou o sol? Mudou o universo? Claro que não! O que se deu foi uma revolução mental: o que mudou foi nada menos do que o lugar do homem no mundo e o lugar do mundo no universo. Tudo continua no mesmo lugar, acontecendo como antes. Ainda usamos a linguagem antiga: “O sol nasceu” ou “o sol se pôs”, quando, na verdade, o sol não fez nada disso. Plantamos e colhemos, amamos e deixamos de amar, rimos e choramos, não acordamos assustados nos perguntando: “E agora que Ptolomeu está errado, o que vai acontecer conosco?”. O mundo do homem primitivo é o mesmo mundo do sofisticado homem do Século XXI – o sal tem o mesmo gosto, as abelhas fazem o mesmo trabalho, sentimos o mesmo cheiro de uma flor que nossos antepassados, o floco de neve tem o mesmo número de pontas. Então, se tudo se parece igual, o que mudou? Mudaram os paradigmas, isto é, a maneira de vermos as coisas.
Mudar paradigmas, porém, muda tudo. Eles determinam a forma como vemos as coisas. Quando muda nossa percepção, muda-se a forma de enxergar a vida.
A mudança de paradigmas não muda sua esposa, nem seu filho, mas muda a forma como você vai tratá-los. Não muda seu universo, mas muda toda sua história. Muda sua forma de lidar com dinheiro, trabalho, vocação e espiritualidade. Nada muda – mas tudo muda!
Este é o convite de Jesus de Nazaré, quando nos afirma: “Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”. Uma mudança de paradigmas muda toda compreensão do chamado de Deus e da razão de sua existência.
No século 16, porém, Copérnico, um astrônomo polonês, mudou esta concepção ao afirmar que não era o sol que girava em torno da terra, e sim o contrário. A passagem de Ptolomeu para Copérnico foi uma mudança básica de paradigma e causou muita discussão entre a igreja e a ciência.
Copérnico escreveu ODE REVOLUTIONIBUS, que deixou de ser publicado por 20 anos, por medo da perseguição religiosa. Até então, acreditava-se que o planeta terra fosse o centro do universo (Geocêntrico), e agora outra tese ensina que a terra gravita em torno do sol (Heliocêntrico). Desde Aristóteles, era dado como certo que o céu nunca muda. Agora muda-se a noção de quem somos e de como o cosmo funciona, assim como a noção de tempo. Isso subvertia radicalmente a visão da realidade que se confiava à experiência dos sentidos.
Mas o que mudou? Copérnico mudou a terra de lugar? Mudou o sol? Mudou o universo? Claro que não! O que se deu foi uma revolução mental: o que mudou foi nada menos do que o lugar do homem no mundo e o lugar do mundo no universo. Tudo continua no mesmo lugar, acontecendo como antes. Ainda usamos a linguagem antiga: “O sol nasceu” ou “o sol se pôs”, quando, na verdade, o sol não fez nada disso. Plantamos e colhemos, amamos e deixamos de amar, rimos e choramos, não acordamos assustados nos perguntando: “E agora que Ptolomeu está errado, o que vai acontecer conosco?”. O mundo do homem primitivo é o mesmo mundo do sofisticado homem do Século XXI – o sal tem o mesmo gosto, as abelhas fazem o mesmo trabalho, sentimos o mesmo cheiro de uma flor que nossos antepassados, o floco de neve tem o mesmo número de pontas. Então, se tudo se parece igual, o que mudou? Mudaram os paradigmas, isto é, a maneira de vermos as coisas.
Mudar paradigmas, porém, muda tudo. Eles determinam a forma como vemos as coisas. Quando muda nossa percepção, muda-se a forma de enxergar a vida.
A mudança de paradigmas não muda sua esposa, nem seu filho, mas muda a forma como você vai tratá-los. Não muda seu universo, mas muda toda sua história. Muda sua forma de lidar com dinheiro, trabalho, vocação e espiritualidade. Nada muda – mas tudo muda!
Este é o convite de Jesus de Nazaré, quando nos afirma: “Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”. Uma mudança de paradigmas muda toda compreensão do chamado de Deus e da razão de sua existência.
terça-feira, 5 de julho de 2011
Criatividade e imaginação
Um dos grandes desafios no processo educacional é não sufocar a capacidade imaginativa das crianças. Geralmente a infância é rica em imaginação e consegue criar um sistema imunológico contra os venenos culturais que a destroem, mas com o passar do tempo, são amoldadas a este sistema que reduz o aprendizado a fórmulas, técnicas e métodos.
Já vi gente muito imaginativa. Um dos colegas que tive, já avançado em idade, era grande poeta e orador criativo, certa feita, nos seus delírios senis, ao olhar as formiguinhas enfileiradas nos disse que via os soldados da confederação, enfileirados em fraques vermelhos, caminhando nos seus treinamentos e prontos para a batalha. Outro colega comentou: “Até na senilidade, consegue ver a vida de forma colorida e colocar poesia na existência!”.
A criatividade tem sido extremamente ameaçada. Nossa sociedade é montada em sistemas, performances e programas. Reduziram a educação aos métodos. Um vestibular é uma forma de avaliar, não necessariamente o saber, mas a capacidade do aluno em pensar de forma mecânica. Rubem Alves afirma que este sistema se parece com um país onde o rei, que tinha uma filha que não era bonita e com os dedos gordos, instituiu que somente as meninas com dedos gordos seriam belas, assim, sua filha se encaixou no padrão idealizado.
Czeslaw Milosz, poeta que ganhou o prêmio Nobel, comenta que as mentes dos norte-americanos foram diluídas pelo “racionalismo da explicação”. Na verdade esta é uma doença sistema do programa educacional de todo Ocidente, que está roubando das crianças sua capacidade imaginativa. Os programas da TV estão prontos, e os vídeos games pré construídos estão substituindo histórias e músicas que eram contadas, e as crianças tinham que criar seus personagens.
Para Milosz, somos pobres em imaginação e por isto temos uma idéia superficial do mundo. O universo agora, só tem espaço/tempo. Perdemos nossos símbolos, poesia, musicalidade, valor e significado. Nenhum mistério. Nenhum Deus criador e criativo. Homens são, cientificamente falando, moléculas, hormônios, bactérias, proteínas, DNAs e átomos. Perdemos o encanto pela vida e a sacramentalidade das coisas. Empobrecemos a visão da grandeza de tudo que nos cerca.
Andando numa floresta com um engenheiro agrônomo, ele me falava do nome das árvores e dizia: “Esta é uma aroeira, uma árvore deste tamanho dá tantas estacas, que valem R$ no mercado”. Depois de alguns comentários desta natureza eu brinquei com ele: “Dá para ver esta árvore apenas como árvore e não como mercado potencial, como comércio?”
“Na hora em que organização e conduta se tornam valores predominantes, a criatividade é, se não abolida, pelo menos severamente inibida, pois assim as almas dos homens e mulheres, serão vistas como energias a administrar, objetos a controlar” (Eugene Peterson).
Já vi gente muito imaginativa. Um dos colegas que tive, já avançado em idade, era grande poeta e orador criativo, certa feita, nos seus delírios senis, ao olhar as formiguinhas enfileiradas nos disse que via os soldados da confederação, enfileirados em fraques vermelhos, caminhando nos seus treinamentos e prontos para a batalha. Outro colega comentou: “Até na senilidade, consegue ver a vida de forma colorida e colocar poesia na existência!”.
A criatividade tem sido extremamente ameaçada. Nossa sociedade é montada em sistemas, performances e programas. Reduziram a educação aos métodos. Um vestibular é uma forma de avaliar, não necessariamente o saber, mas a capacidade do aluno em pensar de forma mecânica. Rubem Alves afirma que este sistema se parece com um país onde o rei, que tinha uma filha que não era bonita e com os dedos gordos, instituiu que somente as meninas com dedos gordos seriam belas, assim, sua filha se encaixou no padrão idealizado.
Czeslaw Milosz, poeta que ganhou o prêmio Nobel, comenta que as mentes dos norte-americanos foram diluídas pelo “racionalismo da explicação”. Na verdade esta é uma doença sistema do programa educacional de todo Ocidente, que está roubando das crianças sua capacidade imaginativa. Os programas da TV estão prontos, e os vídeos games pré construídos estão substituindo histórias e músicas que eram contadas, e as crianças tinham que criar seus personagens.
Para Milosz, somos pobres em imaginação e por isto temos uma idéia superficial do mundo. O universo agora, só tem espaço/tempo. Perdemos nossos símbolos, poesia, musicalidade, valor e significado. Nenhum mistério. Nenhum Deus criador e criativo. Homens são, cientificamente falando, moléculas, hormônios, bactérias, proteínas, DNAs e átomos. Perdemos o encanto pela vida e a sacramentalidade das coisas. Empobrecemos a visão da grandeza de tudo que nos cerca.
Andando numa floresta com um engenheiro agrônomo, ele me falava do nome das árvores e dizia: “Esta é uma aroeira, uma árvore deste tamanho dá tantas estacas, que valem R$ no mercado”. Depois de alguns comentários desta natureza eu brinquei com ele: “Dá para ver esta árvore apenas como árvore e não como mercado potencial, como comércio?”
“Na hora em que organização e conduta se tornam valores predominantes, a criatividade é, se não abolida, pelo menos severamente inibida, pois assim as almas dos homens e mulheres, serão vistas como energias a administrar, objetos a controlar” (Eugene Peterson).
Assinar:
Postagens (Atom)