“Onde está Mefibosete, neto de seu senhor? Perguntou o rei. Respondeu Ziba: “Ele ficou em Jerusalém, pois acredita que os israelitas lhe restituirão o reino de seu avô.” (2 Sm 16.3-4)
A Bíblia narra o drama de Mefibosete. Ele era neto do rei Saul e filho de Jônatas, que na sucessão do trono seria o próximo rei. Quando eles morreram na guerra, toda a cadeia sucessória estava em risco, bem como a integridade física dos descendentes de Saul. Sua ama, que cuidava de sua proteção, entendeu o risco e decidiu tirá-lo de Jerusalém para que ele não fosse assassinado, mas na pressa ele caiu e ficou deficiente. Foi levado para Lo-Debar, uma aldeia bem distante do palácio e ficou isolado do palácio, na terra do esquecimento. Ali ele cresceu e viveu, escondendo sua identidade, sempre sobressaltado pelo risco de ser descoberto.
Por causa da amizade com Jônatas, quando Davi soube de sua existência, resolveu restaurar sua dignidade e o tirou da penumbra e do sentimento de constante ameaça convidando-o para morar no palácio e assentar-se à mesa real. Contudo, na crise política que atingiu Davi, Mefibosete demonstrou atitude de oportunismo e ingratidão, e de forma interesseira torceu para que seu protetor, Davi, morresse e ele pudesse ocupar seu lugar. Que atitude infame.
Infelizmente nós não apenas sofremos, mas também podemos agir com ingratidão. Não podemos evitar que os outros nos firam, mas devemos pedir a Deus para que nossa vida seja uma demonstração constante de lealdade e amizade. Que os interesses escusos do coração não nos levem à ingratidão. Gosto de pensar na gratidão como “a memória do coração.”
quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Ingratidão
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